As primeiras 356 mil doses de vacinas contra a gripe (influenza) já foram distribuídas pela Secretaria da Saúde (SES) aos municípios. Apesar de oficialmente o início da campanha ocorrer na próxima segunda-feira (7/4), as prefeituras já podem dar início à vacinação imediatamente após receberem os imunizantes. Em algumas cidades, eles já começaram a ser aplicados nos grupos prioritários.
O público-alvo da estratégia de vacinação contra gripe no Rio Grande do Sul supera 5,3 milhões de pessoas. Elas fazem parte dos grupos prioritários selecionados pelo Ministério da Saúde para serem imunizados, seja por estarem mais expostos, seja por causa dos riscos de agravamento da doença.
A estimativa é que 5.324.874 pessoas pertençam aos grupos prioritários, cuja distribuição é a seguinte:
- Crianças a partir de 6 meses e menores de 6 anos (5 anos, 11 meses e 29 dias): 830.039
- Gestantes (em qualquer período gestacional): 90.731
- Idosos (a partir de 60 anos): 2.314.385
- Trabalhadores da saúde: 453.057
- Puérperas (até 45 dias após o parto): 14.915
- Professores dos ensinos básico e superior: 153.385
- Povos indígenas: 41.091
- Pessoas em situação de rua: 4.128
- Profissionais das forças de segurança e de salvamento: 28.178
- Profissionais das Forças Armadas: 38.899
- Pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais (independentemente da idade): 665.072
- Pessoas com deficiência permanente: 464.668
- Caminhoneiros: 128.564
- Trabalhadores do transporte rodoviário coletivo (urbano e de longo curso): 29.034
- Trabalhadores portuários: 4.051
- Trabalhadores dos Correios: 5.347
- Funcionários do sistema de privação de liberdade: 6.745
- População privada de liberdade, além de adolescentes e jovens sob medidas socioeducativas (entre 12 e 21 anos): 34.948
- Link para a tabela com as estimativas populacionais por município
A meta é vacinar 90% das gestantes, das crianças e dos idosos. Esse índice, contudo, ficou abaixo do esperado nos últimos anos: 79,3% em 2021; 65,2% em 2022; 56,4% em 2023; e 52,3% em 2024. Para os demais grupos que serão vacinados na estratégia especial, não é estipulada uma meta, uma vez que o número de pessoas aptas a receberem o imunizante é apenas uma estimativa.
Uma das novidades a partir deste ano é a inclusão da vacina da gripe no Calendário Nacional de Vacinação para crianças a partir de 6 meses e menores de 6 anos, gestantes e idosos (a partir de 60 anos), tornando permanente a proteção para esses públicos, ou seja, a vacinação fica disponível ao longo de todo o ano a partir da chegada das doses.
Proteção
A vacinação é considerada a melhor estratégia de prevenção contra a influenza e possui capacidade de promover imunidade durante o período de maior circulação dos vírus, reduzindo o agravamento da doença, as internações e o número de óbitos.
A influenza causa uma infecção aguda que afeta o sistema respiratório. Ele possui uma elevada transmissibilidade, distribuição global e tendência de fácil disseminação em epidemias sazonais, podendo levar, inclusive, a uma situação de pandemia. Os casos de influenza variam de quadros leves a graves e podem levar ao óbito.
A vacina contra influenza é produzida no Brasil pelo instituto Butantan. Os imunizantes das campanhas atuais são trivalentes e protegem contra os vírus da influenza A (de dois subtipos, H1N1 e H3N2) e da influenza B, que são os de maior importância epidemiológica, de acordo com a própria Organização Mundial da Saúde.
Situação epidemiológica no RS
São contabilizados para registro epidemiológico os casos de hospitalizações por síndromes respiratórias agudas graves (SRAG), caracterizadas por quadros de síndromes gripais, dispneia (desconforto respiratório) e/ou sinais de gravidade, como baixa saturação de oxigênio no sangue. Quando identificado um caso com essas características no momento da internação, é feita a coleta de amostras (secreção nasal) para a realização de exame.
Entre os vírus que podem ser detectados estão o da influenza, a da covid-19 e o sincicial respiratório (VSR). Para melhorar a visualização das notificações desses tipos de hospitalizações, a SES, por meio do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), dispõe desde 2023 de um painel aberto para consulta e acompanhamento. As notificações podem ser filtradas por local (Estado, cidades, coordenaria regional), tempo (datas do início dos sintomas), evolução (internado, recuperado ou óbito) e perfil das pessoas (faixa etária, sexo e raça).
Se for considerada a série histórica iniciada após a pandemia de H1N1 ocorrida em 2009, os casos de influenza tem aumentado nos últimos anos. O maior número deles foi registrado em 2024.
Casos de SRAG por influenza / Óbitos por influenza
2025 (até 1º/4): 102 / 5
2011: 267 / 14
2012: 807 / 68
2013: 565 / 73
2014: 189 / 25
2015: 89 / 9
2016: 1.377 / 212
2017: 440 / 48
2018: 622 – 98
2019: 475 / 76
2020: 16 / 2
2021: 148 / 16
2022: 1.036 / 140
2023: 1.065 / 135
2024: 2.326 / 288
Texto: Ascom SES
Edição: Secom